Museu Nacional recebe mais 50 milhões para concluir as obras de reconstrução

BNDES repassa o valor para que o espaço cultural fique pronto em 2026

Por Sidney Rodrigues Coutinho – Fonte: www.ufrj.br

Para abrir as portas do Museu Nacional (MN) aos brasileiros no ano que vem, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu um apoio financeiro não reembolsável no valor de R$ 50 milhões para a reconstrução do Paço de São Cristóvão, junto com a reforma e readequação do prédio da Biblioteca Central. O anúncio foi feito pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, na manhã da última quarta-feira (2/4).

Segundo Mercadante, o BNDES vai se empenhar para honrar o compromisso do presidente Lula quando esteve no museu, lugar que carrega boa parte da herança histórica de nossa nação. “Estamos trazendo mais 50 milhões e vamos concluir ainda no primeiro semestre deste ano os recursos que faltam. O pessoal da engenharia e da obra pode arregaçar (sic), pode colocar cimento, mais areia e mais tijolo. Vamos entregar esse negócio aqui. Podem pisar no acelerador para que, em breve, as futuras gerações venham conhecer este espaço mágico e fantástico que nos dá orgulho de ser brasileiro e que tem um papel fundamental no reconhecimento do Brasil profundo e secular”, disse o presidente do banco.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, agradeceu o esforço federal para recuperar o Museu Nacional. Segundo ele, uma dívida eterna havia sido criada com Aloizio Mercadante. “Pode ter certeza que devolveremos esse patrimônio cultural, histórico, científico para a sociedade rapidamente. E ações como essa do BNDES triplicam o nosso ânimo”, afirmou.

Com os recursos do BNDES Fundo Cultural, o valor total destinado pelo BNDES à recuperação do museu chegará a R$ 100 milhões, quando somados aos aportes de 2018 e 2022, nos valores de R$ 21,7 milhões e R$ 28,3 milhões, respectivamente. Há um compromisso do Governo Federal de apoiar a reconstrução da unidade, que teve grande parte das instalações e do acervo atingida pelas chamas em 2018.

De acordo com Mercadante, o orçamento para a reconstrução era de R$ 516 milhões e já foram captados R$ 347 milhões, inclusive com os aportes do BNDES. Faltam R$ 170 milhões, sendo que R$ 101 milhões já estão em fase final de negociação. “Em relação ao restante para fechar o previsto, já há conversas avançadas. Vamos tentar ir além disso, ao criar um fundo de sustentação financeira para dar suporte ao Museu Nacional quando terminarem as obras”.

Alexander Kellner, diretor do museu, destaca que o BNDES está com o Museu Nacional/UFRJ antes mesmo do incêndio. “No dia 6 de junho de 2018, às vésperas do bicentenário da nossa instituição, que é o primeiro museu brasileiro, foi assinado um aporte de R$ 21,7 milhões. Após o incêndio, o BNDES continuou conosco, sendo bastante flexível na readaptação do projeto que havia sido aprovado. Consideramos o apoio do BNDES ao Museu Nacional como um exemplo de compromisso para com o país a ser seguido, além de servir como inspiração para empresas e instituições”, afirmou.

Presidente do BNDES assina a doação de R$ 50 milhões para recuperação do Museu Nacional | Foto: Sidney Rodrigues Coutinho

Aprovação do Iphan

Em fevereiro deste ano, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou as soluções arquitetônicas apresentadas para o Paço de São Cristóvão, a sede do Museu Nacional, desenvolvidas pelo Projeto Museu Nacional Vive (cooperação entre UFRJ, Unesco e Instituto Cultural Vale).

De acordo com o gerenciador da obra, o arquiteto Wallace Caldas, o grande desafio na reconstrução está nos acréscimos realizados para o público, como melhorar a iluminação natural do museu. “A baleia que será colocada nas escadarias de entrada é um deles e será o primeiro acervo a ser instalado no MN. O outro são as claraboias, com vidros espessos, que aumentam a carga em uma estrutura sensível pela antiguidade e por ter sido comprometida pelo incêndio”, contou.

O conceito geral do projeto tem como premissa restaurar ou recompor a maior quantidade possível de elementos artísticos e históricos do palácio, conectando ainda mais o museu aos jardins da Quinta da Boa Vista, mas assegurando requisitos de acessibilidade universal e sustentabilidade. Com o parecer de aprovação, o Iphan aponta que as intervenções inovam e atendem às principais diretrizes de preservação do bem tombado.

“O Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive celebra este novo investimento do BNDES, que vai permitir o avanço das obras de restauração do Paço de São Cristóvão. Esse gesto de confiança no trabalho realizado até aqui estimula outras instituições a também se somarem a este projeto tão desafiador e histórico: devolver para o Brasil o seu primeiro museu e a sua primeira instituição científica”, afirma Hugo Barreto, representante do Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive e diretor-presidente do Instituto Cultural Vale.

Novidades na abertura

Além das claraboias e da baleia suspensa na escadaria principal, Alexander Kellner informou que os futuros visitantes do museu terão, na abertura do espaço cultural, uma área dedicada à evolução e à diversificação da vida na Terra. “Estamos negociando para ter desde os primeiros organismos que existiram até os mamíferos gigantes que foram extintos. Também queremos dar protagonismo às comunidades indígenas e afrodescendentes para mostrar o Brasil que eles conhecem. Eles vão participar diretamente, não serão consultores apenas”, enfatizou.

Kellner também adiantou que ocorrerão diversas exposições novas de minerais que já foram doados. “Mas a grande doação foi de um museu da Dinamarca que nos passou o manto tupinambá. Destaco que, para abrir este espaço e em grande estilo, precisamos da ajuda da população e das instituições. Com os recursos, vamos recuperar também as peças que resistiram ao incêndio, como a grande guerreira do museu, a Luzia. Assim, convoco as instituições que podem doar materiais de história natural, história brasileira e antropologia para o acervo do Museu Nacional a nos procurarem, pois o espaço será de todos nós”, concluiu.